Ilustração à mão, uma poesia visual

Na Editora Perensin, acreditamos que a ilustração à mão traz um valor único para determinados projetos editoriais. Cada detalhe é cuidadosamente pensado, e o processo artístico se constrói como uma jornada de dedicação e sensibilidade, sempre em diálogo com a proposta da obra.
Em alguns livros, a escolha pela ilustração manual acontece a partir da preferência do autor e da linguagem que melhor traduz a narrativa, respeitando a identidade de cada projeto e ampliando as possibilidades visuais dentro do nosso catálogo.


Em uma das nossas capas feitas à mão, temos a obra “Ursa Maior” de Tânia Pino, cada ilustração, inclusive a capa, foi feita à mão, revelando um cuidado artesanal que dialoga perfeitamente com a narrativa da obra.

As ilustrações são assinadas por Emilly, uma das artistas da Editora, que tem uma relação especial com a literatura: ela é filha de Raquel Sloczynski, autora do livro “Você Pode Viver o Extraordinário”,  publicado pela Coruja. Essa proximidade com o universo dos livros se reflete em um trabalho que vai além da técnica, carregando afeto, escuta e contemplação. A seguir, nesta matéria, a artista compartilha um pouco sobre a obra e reflete sobre a importância da ilustração à mão, em uma conversa que revela o processo criativo por trás do livro.

O primeiro encontro com a história

O contato inicial com o projeto já revelou o tom do trabalho que viria a seguir. Ao ler a obra, a ilustradora se deparou com uma narrativa delicada e profunda. Segundo ela, “lendo a história e a temática sensível, achei muito bela a ideia do projeto”. Essa primeira impressão foi determinante para conduzir todo o processo criativo, que buscou respeitar o silêncio e a densidade emocional presentes no texto.

A construção da capa: do conceito à arte final

Curiosamente, a capa foi a última ilustração a ser produzida, segundo a ilustradora, a ideia foi sendo amadurecida ao longo da criação das imagens internas do livro. Conforme Emilly, avançava na leitura e no desenvolvimento das cenas, a capa começou a se desenhar quase como uma síntese visual da história.

A proposta era criar uma imagem que transmitisse silêncio, reflexão e acolhimento. Elementos importantes do enredo foram reunidos de forma sutil: a grama alta por onde os personagens caminham, as montanhas ao fundo e o dente-de-leão que, levado pelo vento, deixa as patas do ursinho e sobe em direção à constelação da Ursa Maior. Cada detalhe foi pensado para comunicar sentimentos como partida, contemplação e conforto.

Antes da arte final, a ilustradora fez diversos rascunhos em folhas de teste, experimentando a composição até encontrar a organização visual que melhor expressasse a essência da obra.

A escolha pela ilustração à mão

A decisão de ilustrar de forma totalmente manual não foi por acaso. A artista trabalha com mídia mista tradicional, utilizando lápis de cor, tinta guache, caneta preta e até café em uma mesma ilustração. Essa diversidade de materiais confere textura, profundidade e autenticidade às imagens.

Embora reconheça as vantagens da ilustração digital — como praticidade, facilidade de correção e menor ocupação de espaço físico —, ela destaca o valor do processo manual: “Há algo precioso em pegar um papel e ir rascunhando uma ideia”. É nesse contato direto com o material que surgem imperfeições, surpresas e gestos únicos, impossíveis de serem totalmente replicados no meio digital.

A experiência do leitor

Ao segurar o livro e observar a capa, a expectativa da ilustradora é que o leitor sinta um conforto nostálgico, quase como um abraço visual. A imagem também propõe uma pergunta silenciosa: por que o ursinho observa a constelação? Essa curiosidade é um convite sutil à leitura, despertando o desejo de descobrir o significado por trás da cena.

Uma parceria cuidadosa

O trabalho em conjunto com a Editora Perensin foi descrito como uma experiência muito positiva. A ilustradora destaca o cuidado, a organização e a gentileza da equipe ao longo de todo o processo, fatores essenciais para que um projeto como “Ursa Maior “ pudesse ser desenvolvido com tranquilidade e respeito artístico.

Quando a arte encontra a narrativa

A capa de “Ursa Maior” é mais do que um elemento gráfico: ela é uma extensão da história. A ilustração à mão, com seus detalhes e texturas, reforça o caráter intimista do livro e convida o leitor a desacelerar, observar e sentir. Um exemplo de como o trabalho artesanal ainda tem um lugar especial na literatura, especialmente quando a imagem nasce em diálogo profundo com a palavra.

Entrevista | O processo criativo por trás da capa de Ursa Maior, com Emilly 

Como foi o seu primeiro contato com o projeto deste livro e qual foi sua primeira impressão ao conhecer a obra?
Lendo a história e a temática sensível achei muito bela a ideia do projeto..”

Você pode nos contar como foi o processo de criação da ilustração da capa, desde a ideia inicial até a arte final?

“A capa foi a última ilustração que fiz para o livro, a ideia de como criá-la foi sendo construída ao longo de como desenvolvia as ilustrações do texto. Dada a temática profunda e reflexiva, sabia que deveria trabalhar com uma arte que trouxesse silêncio e ao mesmo tempo reunisse pequenos detalhes do que havia no enredo(a grama alta onde os personagens passam maior parte das cenas, as montanhas, o dente de leão que com o dançar do vento deixa as patas do ursinho e sobe para perto da constelação). Fui rascunhando em uma folha teste para ver como organizar a composição de modo que comunicasse a ideia de reflexão, partida e ao mesmo tempo conforto, e depois fiz a arte final.”


A capa foi ilustrada à mão. Por que você escolheu esse caminho artístico?
A ilustração a mão permite muita liberdade, a técnica que uso é mídia mista tradicional, ou seja, na mesma ilustração utilizo tanto lápis de cor como uso tinta guache, caneta preta e até café. A ilustração digital tem muitas vantagens sobre a ilustração a mão(tradicional), no quesito de ocupar menos espaço físico, não sujar as mãos nem a mesa e em caso de erros ser mais fácil de corrigir, mas há algo de precioso em pegar um papel e ir rascunhando uma ideia.”

Como você espera que o leitor se sinta ao ter esse livro nas mãos e olhar para a capa?
Espero que sinta um certo conforto nostálgico, como um abraço que convida a ler e também que se pergunte o motivo do ursinho estar olhando para a constelação e leia para entender.”

Como foi trabalhar em parceria com a Editora Perensin nesse projeto?
Foi muito positivo, a equipe é muito atenciosa, organizada e gentil”

Ao longo deste projeto, a Editora Perensin reafirma seu compromisso em respeitar as escolhas artísticas de cada obra, valorizando processos autorais e técnicas que melhor dialogam com a narrativa proposta.

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