O valor das pequenas editoras na formação de novos autores
Por Fabricio Azevedo.
Uma das alegrias que tenho é ser o primeiro autor publicado pela Editora Perensin com o seu novo selo, que reúne títulos de fantasia, magia e congêneres — se inicia com meu livro A Mulher de Negro. Minha alegria é dupla, já que a simpática corujinha com chapéu de bruxa foi uma criação do meu filho, sobre o logo de coruja da Perensin. A editora ainda é pequena, mas está rapidamente desenvolvendo um catálogo variado, inclusive para escritores estreantes que talvez tivessem dificuldades em conseguir espaço em grandes empresas. Ou seja, autores como eu mesmo.
Isso me faz refletir — e muito — sobre o papel das editoras, grandes e pequenas, para a literatura, o ensino e o conhecimento de modo geral. Há editores que se especializaram em temas específicos e técnicos, como direito, medicina e outros. É um material de público cativo, com exigências particulares. Outras se especializam em temas como terror, religiosos, didáticos e até um pouco mais “apimentados”. E, claro, há as mais gerais, com literatura, biografias e tantos outros. Mas algo que muitas pessoas — e até mesmo muitos autores — não entendem que a editora não apenas publica livros. Ela também seleciona, aprimora e, finalmente, publica, oferecendo ao público algo que tantas vezes não é levado a sério em nossas terras: Cultura.
O editor liga quem escreve a quem lê, e essa não é uma tarefa trivial. A maioria dos livros não dará lucro, e muitos nem se pagarão. Mesmo se o autor custeia parte ou a maior parte do valor do lançamento, ainda há riscos: espaço no estoque, logística, o tempo da seleção, temas que desagradam outros autores, etc. Tudo tem seu custo no processo. Mas os editores continuam publicando, às vezes sabendo aquela obra não se pagará. Por quê? Às vezes o editor vê um potencial em um autor que precisa ser cultivado. Outras vezes, é porque a história realmente o agradou e, mesmo que seja para um público mais restrito, ele acredita que ela merece publicada. Há obras que realmente só fizeram sucesso anos depois. Em certos casos, é pela necessidade de registrar algo com valor histórico — mesmo que seja da história local.
Por isso, a pequena editora é tão necessária. Ela abre a porta para o novo e ao não usual. Ela encontra os diamantes no meio do cascalho e dá o polimento para fazê-los brilhar. É acessível — você pode realmente conversar com quem tomará a decisão. Novos movimentos literários às vezes só existem porque algum pequeno editor resolveu arriscar com um autor ainda não publicado. E quando a editora cria um novo selo e se abre para um novo tema, ela passa um recado para os autores: Eu tenho um espaço para você.


